Mininah Anjo!


07/05/2009


Uffa, até que enfim eu aqui né...

Nossa, tanto tempo que eu to ensaiando pra entrar e publicar algum texto, alguma coisa legal pra ser lido. Mas travei, é não consegui. Pela primeira vez eu tinha muito pra falar e não falei. Não pude, não consegui. Aliás, ainda não estou conseguindo ainda. Por isso vou realizar um desejo de um amigo, vou colocar aqui o texto pelo qual ganhei o 3º lugar no concurso de redações filosóficas da UCG. O tema era "A interner ajuda o jovem a viver? pensar? crescer?" Pois é, acabei ganhano o terceiro e foi ótimo.

Alê, divirta-se lendo meu texto!
Bjos!

Tudo é perigoso, divino e maravilhoso.

       “Eu acredito que a cadência e a harmonia certas, no momento certo podem despertar qualquer sentimento, inclusive o da felicidade nos momentos mais sombrios.” A frase é de Vinícius Gajeiro Marques, um jovem gaúcho de Porto Alegre, de 16 anos. Um garoto que amava Mutantes e Radiohead. Esta foi retirada de sua carta de despedida, escrita no dia 26 de julho de 2006, pouco antes das três e meia da tarde, quando o jovem Yoñlu - assim conhecido na rede – cometeu o suicídio por intoxicação de alta concentração de monóxido de carbono. O que a morte de Yoñlu teria a ver com a “era cibernética”? Não teria nada se não fosse pelo fato do jovem ter sido instruído e incentivado a se matar por um site de “amigos”, que falam sobre técnicas práticas de suicídio, e também pelo fato de divulgar e transmitir sua morte pela rede

          O caso de Yoñlu foi o primeiro no Brasil, mas apenas mais um no mundo. O caso de suicídio de jovens por incentivo de sites vem aumentando com freqüência, estamos identificando, aos poucos, sinais de algo macabro no “reino da internet”. Não é difícil para um jovem, ou até para uma criança, encontrar na rede sites de táticas de suicídio, com informações sobre as “melhores” formas de suicídio. Estes possuem salas de bate-papo, famoso “chat”, onde seus participantes trocam dicas e dúvidas sobre as técnicas a serem usadas de forma e diálogos tão banais que chocam os pesquisadores.

         A falta dos pais em casa vem fazendo com que cada vez mais jovens e crianças fiquem sozinhos (em casa), tendo o computador como uma janela para qualquer lugar, inclusive lugares imaginários. O jovem passa a acreditar que apenas o “mundo virtual” é perfeito e o “mundo real” não é próprio para a vida. Acreditando nisso e incentivado por “amigos” a única saída encontrada é o suicídio. Que por muitos é visto como o ganho total da liberdade, mas para Albert Camus, autor do “Mito de Sísifo”, o suicídio é a negação da liberdade, pois quando se comete o mesmo acaba-se com as possibilidades de fazer escolhas futuras.

       Os trabalhos de alguns sociólogos, como Émile Durkheim, mostrou que a alienação e a falta de propósito ligadas à vida moderna incentivariam o suicídio. Segundo estudos de psicólogos e psicanalistas, cerca de 90% estão relacionados a problemas psiquiátricos. Vemos então que a partir disso o suicídio pode ser visto como fruto de uma condição social e não mais o resultado da vontade própria do indivíduo. Este agora se vê cercado de opiniões diversas que são impostas por sites, salas de bate-papo, “fóruns”, enquetes e vários e-mails que chagam todos os dias através de links em nossas caixas de e-mail.

      Hoje vemos a facilidade do jovem em criar uma “fantasia” virtual, que muitas vezes engana os pais, parecendo-lhes um adolescente normal que tem “amigos” e às vezes até um namorado ou namorada, que pode não passar de mais um “fake” de um site de relacionamentos. Esses jovens muitas vezes escondem personalidades depressivas e cheia de perturbações que são fortes características para chegar ao suicídio.

       “Concluímos então que o mundo de hoje está impedindo que o jovem tenha uma convivência agradável com pessoas que realmente existem e não com “amigos virtuais”, “contatos de MSN” e “fakes” de ORKUT”. Vemos que Belchior estava correto ao cantar “atenção, tudo é perigoso, tudo é divino, maravilhoso”; vivemos em meio a perigos fantasiados de maravilhas, vemos a internet como um auxílio de pesquisa fácil, divertimento, interação e unificação mundial, mas nos esquecemos que o mesmo auxílio é uma arma para a boa convivência, impedindo que criemos nossa própria opinião e argumentos.

R.G.Felisberto

 

 P.S.: Logo,logo estarei de volta. Eu não vou embora, estou bem aqui. E você? Hora, você pode ficar aqui comigo também.

Escrito por Gabriela Sanguini às 23h43
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